Uma luta vitalícia contra Gorduras Trans

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Fred Kummerow, 99, in his lab at the University of Illinois where he still directs research. By MELANIE WARNER Published: December 16, 2013

Essa é uma tradução (livre) de um artigo que foi publicado no dia 16/12/2013 no New York Times, na seção Saúde! Vale a pena ler e se informar.

Segue o link: http://www.nytimes.com/2013/12/17/health/a-lifelong-fight-against-trans-fat.html?emc=eta1&_r=1&.

Mais uma vez, agradeço ao grupo Dieta Paleo e Dieta Paleolítica por divulgar essas informações, principalmente ao Adolfo Neto.

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Fred Kummerow, 99, in his lab at the University of Illinois where he still directs research. By MELANIE WARNER Published: December 16, 2013
Fred Kummerow, 99, in his lab at the University of Illinois where he still directs research.
By MELANIE WARNER
Published: December 16, 2013

Em 1957, um principiante cientista em nutrição da Universidade de Illinois persuadiu um hospital a dar-lhe amostras de artérias de pacientes que morreram de ataques cardíacos.

Quando ele analisou essas amostras, fez uma descoberta surpreendente. Não houve surpresa quando viu que as artérias doentes estavam cheias de gordura, porém, foi um tipo específico de gordura. Os ácidos graxos artificiais conhecido como gorduras trans, que vêm dos óleos tratados com hidrogênio, utilizados em alimentos processados ​​como margarina, e estavam tomando o espaço de outros tipos de ácidos graxos.

(Não está no artigo original mas é bom para entender o que são os ácidos graxos, que são gorduras.  Fonte: http://www.brasilescola.com/upload/conteudo/images/acido-graxo.jpg
(Não está no artigo original mas é bom para entender o que são os ácidos graxos – gorduras, e a diferença entre cis e trans.
Fonte: http://www.brasilescola.com/upload/conteudo/images/acido-graxo.jpg

O cientista, Fred Kummerow, seguiu com um estudo que descobriu quantidades preocupantes de placas entupindo artérias em suínos que foram submetidos a uma rica dieta em gorduras artificiais. Ele se tornou um pioneiro da pesquisa de gordura trans, um dos primeiros cientistas a afirmar que existe uma ligação entre doenças cardíacas e alimentos processados.

Se passaram mais de três décadas antes que esses resultados fossem amplamente aceitos – e (quase) cinco décadas para que a Food and Drug Administration (FDA, órgão do governo dos Estados Unidos da América responsável pleo controle de alimentos, suplementos alimentares, cosméticos, medicamentos  entre outras coisas) decidisse que as gorduras trans devem ser eliminadas da oferta de alimentos, como proposto em uma regra divulgado no mês passado .

Fred Kummerow in 1953. Fonte: Copyright 2013 The New York Times Company
Fred Kummerow in 1953.
Fonte: Copyright 2013 The New York Times Company

Agora, Dr. Kummerow ainda está em atividade aos 99 anos, vive a poucos quarteirões da universidade, onde funciona um pequeno laboratório. E ele continua a chegar a conclusões contrárias sobre gorduras e doenças cardíacas.

Nos últimos dois anos, ele publicou quatro artigos em revistas científicas com revisão por pares, dois deles dedicados a pesquisa de outro grande acusado, o responsável pela aterosclerose, ou o endurecimento das artérias: um excesso de óleos vegetais poliinsaturados, como soja , milho e girassol – exatamente os tipos de gorduras que os americanos (e o mundo!) foram instigados a consumir para as últimas décadas.

O problema, diz ele, não é o LDL – lipoproteína de baixa densidade (em inglês: Low Density Lipoprotein), o “mau colesterol” amplamente considerado como a principal causa de doença cardíaca. O que importa é saber se o colesterol e gordura que residem nessas partículas de LDL foram oxidados, (tecnicamente, o LDL não é o colesterol, mas as partículas que contêm colesterol, juntamente com os ácidos graxos e proteínas).

“O colesterol não tem relação com doença cardíaca, exceto se ele é oxidado”, disse Dr. Kummerow. A oxidação é um processo químico que ocorre amplamente no organismo, contribuindo para o envelhecimento e o desenvolvimento de doenças degenerativas e crônicas. Dr. Kummerow alega que as altas temperaturas usadas na fritura comercial criam óleos poliinsaturados inerentemente instáveis ​​para oxidar, e que estes ácidos graxos oxidados tornam-se uma parte destrutiva das partículas de LDL. Mesmo quando não é oxidado por fritura, os óleos de soja e milho, podem oxidar no interior do corpo.

Se for verdade, a hipótese pode explicar por que diversos estudos descobriram que metade de todos os pacientes com doença cardíaca têm níveis normais ou baixos de LDL. “Você pode ter os níveis de baixos de LDL e ainda estar em apuros se boa parte deste LDL for oxidado”, disse Dr. Kummerow.

Isso o leva a uma conclusão controversa: a de que a gordura saturada na manteiga, queijos e carnes não contribui para o entupimento das artérias – e de fato é benéfico em quantidades moderadas, no contexto de uma dieta saudável (muitas frutas, legumes, todos os grãos e outros alimentos frescos, não transformados). (Nota do blog: Não somos a favor do consumo de grãos e nem de legumes – tudo que cresce em vagem)

Sua própria dieta atesta isso. Junto com frutas, legumes e grãos integrais, ele come carne vermelha várias vezes por semana e bebe leite todo dia (Nota do blog: Nem leite, tem muito carboidrato e é alergênico para algumas pessoas!). Ele não consegue se lembrar da última vez que comeu algo frito. Ele nunca usou a margarina e, ao contrário,  embaralha ovos na manteiga todas as manhãs. Ele chama os ovos de um dos alimentos mais perfeitos da natureza, algo que ele vem pregando desde os anos 1970, quando o consumo de ovos carregados de colesterol era considerado como um bilhete só de ida para as doenças cardíacas.

“Os ovos tem todos os nove aminoácidos necessários para construir as células, além de ser uma fonte importante vitaminas e minerais “, disse ele. “É uma loucura apenas comer a clara dos ovos. Não é uma boa prática em tudo. “

Dr. Robert H. Eckel, endocrinologista e ex-presidente da Associação Americana do Coração, concordava que LDL oxidada é muito pior do que o LDL não oxidado, em termos de criação de placa. Mas ele discorda do Dr. Kummerow que as gorduras saturadas são benignos e que os óleos vegetais poliinsaturados promovem doenças cardíacas. “Há estudos que mostram claramente uma substituição de gorduras saturadas por gorduras poliinsaturadas leva a uma redução na doença cardiovascular”, disse Eckel, que é professor da Universidade de Colorado (Nota do blog: interessante eles não colocarem links destes estudos, principalmente ser for um estudo de alto valor científico!).

Robert L. Collette, presidente do Instituto de Gordura e óleos comestíveis , uma associação comercial, diz que os fabricantes de óleos vegetais trabalham com os seus clientes para tomar precauções contra a oxidação. “A oxidação é algo que os consumidores podem detectar”, disse ele. “Portanto, é no melhor interesse de todos para controlá-lo.”

O longo arco da carreira e da vida de Fred Kummerow ilustra o ritmo frustrantemente lento da ciência e as formas pelas quais a conformidade científica pode dificultar a busca por respostas. Nascido na Alemanha logo após o começo da I Guerra Mundial, ele se mudou para Milwaukee com sua família quando tinha 9 anos. Seu pai, que trabalhava em uma fábrica de blocos de cimento, não tinha dinheiro para mandá-lo para a faculdade, então Dr. Kummerow trabalhou em tempo integral em uma empresa de distribuição de drogas enquanto frequentava a Universidade de Wisconsin à noite. Depois que ele obteve um Ph.D. em bioquímica, seu primeiro trabalho foi na Universidade de Clemson na Carolina do Sul, onde ajudou a evitar milhares de mortes no Sul por pelagra, uma doença resultante de uma deficiência de vitamina B3.

Desde o início, sua pesquisa sobre gorduras trans foi “estrondosamente criticada e rejeitada”, disse o Dr. Walter Willett, presidente do departamento de nutrição da Harvard School of Public Health, que creditou Dr. Kummerow a inclusão das gorduras trans no Estudo de Saúde das Enfermeiras. Uma descoberta de 1993, este estudo mostrou uma ligação direta entre o consumo de alimentos que contenham gorduras trans e doenças cardíacas em mulheres, foi um ponto de viragem no pensamento científico e médico sobre gorduras trans.

“Ele tinha grande dificuldade em obter financiamento, porque o mundo da prevenção das doenças cardíacas resistiu fortemente a ideia de que as gorduras trans eram o problema”, continuou o Dr. Willett. “Na opinião do mundo, as gorduras saturadas eram o grande culpado na doença cardíaca. Qualquer outra coisa era uma distração!”.

Numa idade em que a própria vida é uma realização, Dr. Kummerow disse que não tinha intenção de se afastar do trabalho que consumiu a ele por seis décadas. Ele continua a trabalhar em casa e fala diariamente para os dois cientistas que trabalham em seu laboratório, que recebe financiamento da Weston A. Price Foundation .

Sua esposa de 70 anos, Amy, morreu no ano passado aos 94 anos de doença de Parkinson, ele tem três filhos, três netos e um bisneto.

Ele não toma medicamento, e sua mente não mostra sinais de envelhecimento: Ele tem uma recordação enciclopédica de nomes, datas e, mais impressionante, conceitos científicos complexos. Ele parou de tomar remédios de pressão arterial, pois faziam seus músculos se tornaram inflamado, desde então ele começou a usar uma cadeira de rodas combinada com um andador. Seu problema de saúde mais significativo, apropriadamente, foi uma obstrução da artéria aos 89 anos – provavelmente um resultado dos efeitos inevitáveis ​​do envelhecimento, não dieta.

Cirurgia de bypass cuidou do bloqueio, e o fato de que agora ele tem uma artéria do braço correndo em seu coração o fez ainda mais determinado a continuar trabalhando. Doença cardíaca continua a ser a principal causa de morte para os americanos, e que gostaria de ficar por aqui para continuar a financiar a pesquisa que vai ajudar a mudar isso.

“O que eu realmente quero é, finalmente, ver que as gorduras trans desapareceram”, disse ele, “e que as pessoas comam melhor e tenham uma compreensão mais precisa do que realmente causa a doença de coração.” (Nota do blog: eu também espero Dr. Kummerow, uma compreensão ampla da ciência da nutrição seria um excelente começo!!).

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Chegamos ao fim de mais uma tradução. Qualquer erro, favor informar para ser corrigido o mais rápido possível.
Um grande abraço!

2 COMMENTS

  1. Muito bom! Mas deixa ver se eu entendi, as gorduras vindas da carne, lacteos e coco nao podem ser fritas pois se oxidam e isso é que faz mal?!

    • Sarah,

      Eu só traduzir, logo tem muita OPINIÃO que eles não provam, como por exemplo comer grão faz bem ¬¬!

      O foco do post é que gorduras trans (todas as artificiais) fritas ou não, vão ser oxidadas no corpo o que vai aumentar o LDL. As gorduras de coco, de carne (especificamente banha) e a manteiga (vinda do leite) pode sim ser fritas, pois são saturadas e não se oxidam facilmente (vou fazer um post explicando sobre isso depois).

      Ou seja, o correto é fritar como nossos bisavós faziam, com banha, manteiga e se gostar com óleo de coco.

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